ESQUEMAS CLÁSSICOS. Atlético x Flamengo. Libertadores 1981

Atlético no 4-4-2 e Flamengo no 4-5-1. O jogo que, para os atleticanos, nunca terminou. Veja o relato da partida, a análise tática e as declarações mais importantes dados ainda no calor do jogo.

Inglaterra 2 x 1 Brasil. Análise tática

Na reestréia de Felipão à frente da Seleção Brasileira, a Inglaterra venceu por 2 a 1. O esquema tático da Inglaterra foi o 4-1-4-1, com Gerrard como volante-armador entre as linhas. O esquema tático do Brasil foi o 4-2-3-1, com Oscar, Neymar e Ronaldinho

Vasco 0 x 1 Flamengo. Brasileiro 2013

O Vasco jogou no 4-2-3-1 e praticamente não ameaçou o Flamengo durante todo o jogo. Seus meias não marcaram nem foram incisivos. O Flamengo jogou no 4-2-3-1 e, com meias-atacantes velozes e habilidodos, dominou a partida. Veja análise completa do jogo

Esquemas Clássicos. Finais de 1968 e 1992

Vídeos, desenhos táticos, melhores momentos, gols e gráficos animados dos títulos europeus de Barcelona e Manchester United nas finas das Champions Leagues de 1992 e 1968

Juventus vs Bayern. Champions League 2012/13

Como são marcados e sofridos os gols de Juventus e Bayern? Levantamento EXCLUSIVO do Esquemas Táticos mostra quantos gols de ataque, contra-ataque e de bola parada fazem Bayern e Juventus na Champions League 2012/13

domingo, 22 de setembro de 2013

Manchester City goleia United. Análise tática

O Manchester City venceu o Manchester United pela quinta rodada do Campeonato Inglês, por 4 a 1, no estádio City of Manchester. Com a vitória, o City empatou com Chelsea, Tottenham e Liverpool com 10 pontos. Pelos critérios de desempate, o Manchester City assumiu a segunda colocação da Premier League. O esquema tático do Manchester City foi o 4-4-1-1. O esquema tático do Manchester United também foi o 4-4-1-1.



O jogo mostrou uma superioridade impressionante do City. Mais organizado, mais técnico, mais objetivo. O Manchester City começou o jogo no campo de ataque. O Manchester United não conseguiu se encontrar até os 30 minutos, quando conseguiu algumas concatenar algumas jogadas. As jogadas saíam pelos dois lados do campo e também pelo centro, com participação ativa de Yayá Touré e Agüero.

O Manchester City atuou no 4-4-1-1 com Agüero à frente da linha de quatro e Negredo como centroavante. Os meias-extremos foram Jesus Navas pela direita e Nasri pela esquerda. Os jogadores centrais da linha de quatro no meio-campo foram Fernandinho (que atuou mais recuado) e Yayá Touré (armando e carregando a bola até o ataque). Nasri teve grande papel no primeiro tempo.

O Manchester United jogou no 4-4-1-1 e não contou com van Persie, contundido. Rooney jogou como o atacante mais adiantado e Welbeck como meia-atacante à frente da linha de quatro do meio-campo. Os laterais do United pouco apoiaram. O técnico David Moyes tentou dar mais consistência a seu lado direito com Smalling na lateral, mas foi justamente dali que surgiu o primeiro gol do City. A linha do meio-campo foi formada por, da direita para a esquerda: Valencia, Carrick, Fellaini e Young.


Durante cerca de 10 minutos, o United conseguiu criar algumas jogadas com Rooney, que passou a voltar mais, e Young. Valencia esteve mal no primeiro tempo. Fellaini e Carrick foram pouco criativos e ajudaram a engessar as ações ofensivas do United.

O gol saiu exatamente no lado que o United se resguardou mais. Mesmo com o zagueiro Smalling na lateral direita, o United não conseguiu evitar a jogada de Nasri e Kolarov, que cruzou para o belo gol de Agüero: 1 a 0. O segundo gol foi no final do primeiro tempo, depois de uma cobrança de escanteio. Yayá Touré marcou: City 2 a 0 United. No início do segundo tempo, Agüero marcou o terceiro depois de belo drible e cruzamento de Negredo. O quarto gol saiu pouco depois. Navas partiu em velocidade pela direita e cruzou para Nasri pegar de primeira. E isso com apenas 5 minutos do segundo tempo.


David Moyes se mexeu... tarde. Após levar o terceiro gol O técnico colocou Cleverley no lugar de Ashley Young e modificou o desenho da equipe. Fellaini foi adiantado para tentar jogadas de cabeça na área do City e Cleverley posicionou-se ao lado de Carrick. Welbeck foi colocado como winger pela esquerda. O cenário pouco mudou. O Manchester United realmente adiantou suas linhas, mas não criou muito perigo ao gol do Manchester City. Pior: abriu espaço para contra-ataque.

Rooney ainda descontou de falta. Final do jogo: Manchester City 4 x 1 Manchester United.

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domingo, 4 de agosto de 2013

ESQUEMAS CLÁSSICOS. Atlético x Flamengo. Copa Libertadores 1981. O jogo que não terminou


Um jogo que, para os atleticanos, nunca terminou. Os torcedores tiveram seu trauma amenizado com a conquista da Copa Libertadores em 2013, mas não esqueceram o que aconteceu há mais de 20 anos naquele 21 de agosto de 1981. Um ano antes, o Flamengo venceu o Campeonato Brasileiro de 1980 com uma vitória por 3 a 2 sobre o Atlético. Na Libertadores de 1981, os dois times caíram no mesmo grupo e terminaram a primeira fase empatados em número de pontos. Nas duas partidas, no Mineirão e no Maracanã, o mesmo resultado: 2 a 2. Teriam que decidir o campeão do grupo, único que iria para a fase posterior, em um jogo de desempate. A atmosfera de rivalidade já estava criada. 

A seguir, faremos um relato do jogo, sua análise tática e também traremos algumas declarações dadas em entrevistas enquanto a confusão tomava conta do gramado. O vice-presidente do Atlético, Marcelo Guzella, chegou a pedir que o então presidente da República, João Baptista Figueiredo, último da Ditadura Militar no Brasil, praticasse, nos gramados, o que era feito na política nacional após o Golpe de 64. “Porque, infelizmente, o futebol brasileiro ainda não foi atingido por essa Revolução salvadora”, disse Guzella.

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FICHA DA PARTIDA
Atlético 0 x 0 Flamengo 1981
Local: Estádio Serra Dourada
Público: 71527 pagantes
Árbitro: José Roberto Wright, do Rio de Janeiro (ligado, na ocasião, ao quadro da federação de Santa Catarina)
Expulsões: Reinaldo, Éder, Chicão, Palhinha e Osmar Guarneli

Atlético: João Leite, Orlando, Osmar Guarnelli, Alexandre e Jorge Valença
(Marcos Vinicius), Chicão, Toninho Cerezo, Palhinha, Vaguinho (Fernando Roberto) Reinaldo Éder. Técnico: Carlos Alberto Silva



Flamengo: Raul, Leandro (Carlos Alberto), Figueiredo, Mozer e Junior;
Leandro, Adílio e Zico; Tita, Nunes e Baroninho (Chiquinho)
Técnico: Paulo César Carpegiani


O ano: 1981. A competição: Copa Libertadores da América. Atlético e Flamengo estavam no grupo dos paraguaios Olímpia e Cerro Porteño e apenas um se classificaria para a próxima fase. Mineiros e cariocas terminaram a fase de grupos empatados com oito pontos, por isso foi necessário um jogo de desempate entre eles. Ambos vinham de duas vitórias e quatro empates, mas o Flamengo levava vantagem no saldo de gols e no número de gols marcados. Assim, se terminasse empatado, o jogo iria para a prorrogação e, em caso de novo empate no tempo extra, o Flamengo estaria classificado. O jogo foi no estádio Serra Dourada, em Goiânia, e contou com um público de mais de 70 mil pagantes.

A partida começou muito nervosa, com as equipes errando passes e fazendo muitas faltas. O árbitro José Roberto Wright também estava nervoso e xingava frequentemente os jogadores. Aos poucos, os jogadores se acalmaram, os passes começaram a sair mais precisos e toda a categoria dos grandes nomes em campo começou a aparecer. O Atlético começou melhor, adiantando as linhas e pressionando o Flamengo no campo defensivo, mas não criou chances claras de gol. O técnico Carlos Alberto Silva armou o Atlético no 4-4-2 (4-2-2-2), variando para o 4-3-3. O esquema tático do Flamengo foi o 4-5-1 (4-2-3-1).

A defesa atleticana teve Orlando na lateral direita; Osmar Guarnelli e Alexandre no miolo de zaga; e Jorge Valença na lateral esquerda. Os laterais subiam ao ataque alternadamente e ainda marcavam Baroninho e Tita. 

Com Chicão como primeiro-volante, Toninho Cerezo tinha liberdade para avançar e arriscar chutes a gol. Além disso, Cerezo fazia lançamentos para Reinaldo, Éder e Vaguinho. Palhinha era o armador e jogou pela esquerda no meio-campo do Atlético. Vaguinho era um meia-atacante pela direita. Ora abria como ponta-direita, ora fechava como meia-direita, mas sempre voltava para ajudar a recompor o meio. Quando Vaguinho abria como ponta-direita, Palhinha ficava mais centralizado.

No ataque, Éder jogou bem aberto pela ponta-esquerda. Era o responsável por todas as cobranças de falta próximas à área do Flamengo. Provavelmente instruído pelo técnico Paulo César Carpegiani, Nunes ficava próximo da bola e atrapalhou todas as cobranças de Éder. Reinaldo, centroavante com uma técnica acima da média, voltava para buscar o jogo no meio-campo, caía pelos dois lados e partia em velocidade para alcançar os lançamentos de Cerezo e Palhinha.

Depois de uma pressão inicial, o Flamengo começou a tomar conta do meio-campo pouco antes dos 15 minutos do primeiro tempo, mas, assim como o Atlético no início do jogo, sem criar boas oportunidades de gol. Nesse jogo, com a ausência de Andrade, Leandro não foi o lateral-direito, mas volante. Carlos Alberto foi o lateral-direito. O miolo defensivo, desfalcado de Marinho, contou com Mozer e Figueiredo. 

O volante Adílio avançava com a bola dominada e fazia lançamentos para Baroninho, Nunes, Tita e Zico. O lateral-esquerdo Júnior, que jogava com a camisa 5, tinha a cobertura de Leandro ou Adílio para avançar pelo lado do campo e também fazer incursões em diagonal pelo centro, como um ala.
No 4-2-3-1 do Flamengo, Zico era o meia-atacante central da linha de três, que contava ainda com Baroninho, aberto pela esquerda do ataque flamenguista, e Tita, um pouco mais por dentro pela direita. Nunes foi o centroavante trombador no ataque.

Expulsões e tumulto

Aos 32min, após cometer falta por trás em Zico, Reinaldo foi expulso. Ele não tinha cartão amarelo na partida. Durante a transmissão da TV Globo, Telê Santana, comentarista convidado, disse que o árbitro José Roberto Wright errou e “estragou o espetáculo”. “O José Roberto está mais nervoso que os jogadores”, afirmou.

Os jogadores contestaram bastante a expulsão, mas o jogo seguiu. Aos 34, em falta para o Atlético, Éder disse alguma coisa para o árbitro e também é expulso. A diretoria do Atlético entra no gramado e tenta agredir Wright. A partir desse momento, o tumulto toma conta da partida. A polícia também entra no gramado e faz um cordão para retirar as pessoas do campo. O vice-presidente do Atlético, Marcelo Guzella, manda o time sair de campo. “Tira o time”, diz para o volante Chicão. O Atlético ameaça deixar a campo, mas recua. A torcida grita: “É marmelada, é marmelada”. Na confusão, Palhinha e Chicão são expulsos, assim como toda a comissão técnica do Atlético.

“Revolução salvadora” de 64

Entrevistado à beira do campo, o vice-presidente do Atlético Mineiro em 1981, Marcelo Guzella, pede ao então presidente do Brasil, João Baptista Figueiredo, que a “Revolução Salvadora de 64” chegue também aos gramados. “Me perguntaram agora há pouco o que eu pediria ao presidente Figueiredo. Eu pediria a ele que pratique, dentro do futebol brasileiro, o que, felizmente, para a salvação nacional, foi praticado na Revolução de 64. Porque, infelizmente, o futebol brasileiro ainda não foi atingido por essa Revolução salvadora. Ainda é tempo, presidente. Vamos cuidar disso”, disse Marcelo Guzella.

O jogo que não terminou

A confusão continua e, por diversas vezes, José Roberto Wright faz sinal de que encerraria a partida. Trinta minutos após o início do tumulto, o jogo é reiniciado com o Atlético contando com apenas sete jogadores. Menos de trinta segundos depois, João Leite cai no gramado alegando uma contusão. Wright manda o jogo seguir, mesmo com João Leite caído e o massagista em campo. Na jogada seguinte, o zagueiro Figueiredo faz falta dura em . João Leite pede para sair do gramado de maca, o árbitro manda o goleiro se levantar e os maqueiros do estádio recusam-se a entrar. José Roberto Wright expulsa Osmar Guarnelli e encerra a partida. Mas para os atleticanos, esse foi um jogo que não terminou. Curtam a Fan Page do Esquemas Táticos no Facebook.com/esquemastaticos, sigam o @esquemastaticos no Twitter e inscrevam-se no Canal do Esquemas Táticos no YouTube. Também estamos no Google Plus, procurem-nos por lá e adicionem aos seus círculos.















domingo, 14 de julho de 2013

Vasco 0 x 1 Flamengo. Análise Tática. Campeonato Brasileiro 2013

O Flamengo venceu o Vasco por 1 a 0 no Estádio Mané Garrincha, em Brasília, pela 7ª rodada do Campeonato Brasileiro 2013. O esquema tático do Vasco foi o 4-2-3-1. O esquema tático do Flamengo também foi o 4-2-3-1.

Vasco



Vasco bem perdido no primeiro tempo. O time apresentou-se descompactado, com os jogadores muito distantes uns dos outros. Os volantes não conseguem ajudar na armação por deficiência técnica e Pedro Ken, marcado e mal no jogo, não conseguiu pegar na bola. O Vasco só ameaçou nas cobranças de falta de Fellipe Bastos.

Éder Luís, encaixotado, não consegue pôr em prática sua melhor característica, que é a velocidade. Começou pela esquerda, para explorar as subidas de Léo Moura, mas logo inverteu a posição com Allison, que jogava pela direita. Também não funcionou.

O três jogadores à frente dos volantes no 4-2-3-1 do Vasco não ajudam na marcação. O centroavante André também não. Postura muito diferente da do Flamengo, em que os jogadores de frente sempre voltam. Além disso, Allison atuou mais como meia que como atacante, mas nem marcou nem apareceu na frente com perigo.



No segundo tempo, após o intervalo entraram Dakson e Edmilson. Dakson entrou no lugar de Fellipe Bastos, mas na posição de Pedro Ken. Ou seja, Pedro Ken passou para a posição de segundo-volante, para melhorar a armação de jogadas do Vasco. No primeiro tempo, atuando muito na frente, ele estava muito marcado e sem espaço para armar a equipe.

Flamengo



O Flamengo, além de bem armado, é superior tecnicamente ao Vasco. Carlos Eduardo e Gabriel fizeram uma grande partida. Eles voltam para fechar o meio campo e, com a bola, aparecem na frente como atacantes. Marcelo Moreno volta para trás da linha da bola para auxiliar na marcação quando o time perde a bola. Elias é um segundo-volante com muita liberdade para avançar e armar o time.

A movimentação intensa do trio de meias-atacantes Paulinho, Gabriel e Carlos Eduardo dificultou a marcação vascaína. Gabriel apareceu nas três posições e, com muita velocidade, apareceu também na linha de fundo para cruzar bolas.

O gol surgiu de uma subida do zagueiro Wallace, que apareceu de surpresa no campo de ataque, tabelou e confundiu a marcação do Vasco. Gol de Paulinho.



Na segunda etapa, Carlos Eduardo passou a atuar pela esquerda do ataque, explorando as jogadas de linha de fundo e as subidas do lateral Nei, que saiu mais para o jogo. As alterações do Flamengo reduziram a movimentação do ataque e não comprometeram o sistema defensivo.

De uma maneira geral, entretanto, o time recuou um pouco suas linhas, mas não deu muitos espaços para o Vasco criar jogadas de perigo. O time controlou o jogo no segundo tempo: não ameaçou, mas também não foi ameaçado.

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domingo, 19 de maio de 2013

Cruzeiro 2 x 1 Atlético. Análise tática. Segundo jogo da final do Campeonato Mineiro 2013. Ou: Como o Cruzeiro colocou um jogador entre Roberto Carlos e a bola

O Atlético é o campeão mineiro 2013. O Cruzeiro venceu o Atlético por 2 a 1, no estádio Mineirão, na segunda partida da final do Campeonato Mineiro 2013. Com o resultado, o Atlético levou o título mineiro de 2013 por ter vencido a primeira partida, quando foi mandante no estádio Independência, por 3 a 0. O esquema tático do Cruzeiro foi o 4-2-3-1. O esquema tático do Atlético Mineiro também foi o 4-2-3-1.

O fato mais importante do jogo não foi o título do Atlético nem a vitória do Cruzeiro, mas a estratégia de jogo utilizada: o Cruzeiro colocou um jogador entre Roberto Carlos e a bola. Explicarei ao longo do texto. 



O Cruzeiro foi melhor no jogo, principalmente no primeiro tempo, quando fez 2 a 0. E como o Cruzeiro conseguiu ser superior e vencer o melhor time das Américas? Em primeiro lugar, é bom lembrar que os dois gols do Cruzeiro foram de pênalti. Pênaltis, ressalte-se, que realmente existiram, mas foram cometidos por um reserva que não vem bem (Gilberto Silva) e por descuido (Richarlyson tenta isolar a bola e não percebe a antecipação de Borges). De novo: ambos foram pênaltis claríssimos, mas cometidos nas condições descritas.

Em segundo lugar, o detalhe estratégico. O Cruzeiro colocou um homem entre a bola e Roberto Carlos. Ããã, como? Isso mesmo. Na Copa de 1998, uma das grandes preocupações dos adversários do Brasil eram as cobranças de falta fortíssimas e com efeito do lateral-esquerdo Roberto Carlos. Para efetuar as cobranças, Roberto Carlos tomava grande distância, mais de nove metros. Pois não é que um treinador adversário colocou um jogador entre Roberto Carlos e a bola em todas as cobranças? Nas cobranças de bola parada, os jogadores adversários devem ficar a um raio de nove metros da bola. Ou seja, a estratégia não era irregular e atrapalhou muito Roberto Carlos. Não me lembro do nome da seleção, nem se outros treinadores fizeram o mesmo, mas acho que sim. Se alguém se lembrar, coloque aí nos comentários.

O Cruzeiro marcou as saídas de bola e os lançamentos de Réver, que joga na sobra, e de Víctor, que chuta as bolas para Jô, Bernard e Tardelli (menos frequente) disputarem com as defesas adversárias. Num desses lances, inclusive, Borges faz falta em Víctor e leva cartão amarelo. Leandro Guerreiro colou em Ronaldinho Gaúcho (marcação individual mesmo) e não o deixou atuar. Pronto, Roberto Carlos não tinha mais espaço para tomar distância e soltar a bomba. Ou melhor, o Atlético não teve uma de suas principais jogadas: o lançamento do campo de defesa para Jô fazer o pivô ou para Bernard correr e ganhar do marcador. O Atlético ficou quase sem alternativa.



Quase, porque Tardelli foi o destaque do Atlético no primeiro tempo, já que só era marcado por Paulão lá no campo de defesa do Cruzeiro. Tinha campo para avançar, preparar a jogada, pensar. Egídio fazia o primeiro combate. Ceará anulou Bernard, com autoridade, pela direita. Sem os chutões, Bernard perde metade de seu poder. É bom jogador, mas terá que se reinventar quando perder a velocidade.

Paulão foi o destaque do Cruzeiro, a despeito de Dagoberto ter criado boas oportunidades pela esquerda e feito dois gols de pênalti no primeiro tempo. No segundo tempo, Dagoberto não foi tão bem e Paulão manteve o nível. Conseguiu ganhar bolas de cabeça contra Jô (tarefa difícil atualmente) e no chão de todo o quarteto de ataque do Atlético.

Boa atuação também do lateral-direito Ceará: perfeito nos desarmes e bem apoio ao ataque. Dagoberto dominou o jogo na primeira etapa. Veloz pela ponta esquerda, sofreu (e converteu) o primeiro pênalti, tocou bem a bola e converteu os dois pênaltis marcados.

No segundo tempo, o Atlético voltou mais organizado. Passou a marcar a saída de bola do Cruzeiro com uma linha de cinco jogadores formada por Tardelli, Leandro Donizete (dando o bote vindo um pouco mais detrás da linha), Jô, Ronaldinho Gaúcho e Bernard. Sem a mesma agressividade na marcação e na troca de posições do primeiro tempo, o Cruzeiro ficou sem penetração. Não conseguia chegar à área adversária.

Os zagueiros, Réver e Gilberto Silva, começaram a antecipar e levar vantagem. Gilberto Silva, mal no primeiro tempo, foi bem no segundo. Marcos Rocha conseguiu apoiar com a cobertura de Leandro Donizete. E... Ronaldinho ganhou o espaço que não teve no primeiro tempo. Sem a explosão física de outrora para fugir dos marcadores, Ronaldinho, tal como muitos veteranos, passou a usar a inteligência e a malandragem para poder aplicar sua técnica.

A ascensão de Ronaldinho no segundo tempo começou com a cabeçada que deu em Leandro Guerreiro. Deveria ter sido expulso. Não foi e irritou o adversário, que até então o marcava duramente, mas na bola. Pois, no lance seguinte, Leandro Guerreiro fez falta em Ronaldinho e levou amarelo. Pronto, a partir daquele momento (10 minutos do segundo tempo) a marcação não foi mais a mesma, Ronaldinho passou a jogar mais livre e o Atlético cresceu junto.

Do lado do Cruzeiro, Ricardo Goulart não entrou bem no jogo. Perdeu praticamente todas as bolas que disputou, errou passes, reclamou... foi mal. Na verdade, todo o quarteto ofensivo do Cruzeiro foi mal no segundo tempo. Éverton Ribeiro nada fez nos dois tempos (aliás, nos dois jogos); Diego Souza brigou, mas pouco produziu; Dagoberto, como já dissemos, não repetiu a boa atuação da primeira etapa; Borges foi o melhor dos quatro, mas levou perigo em apenas um lance.

Nota sobre a arbitragem: Normalmente não comentamos sobre isso, mas o Leandro Pedro Vuaden faltou à aula sobre cama-de-gato. Quando não marcou, inverteu. Na confusão durante a expulsão de Luan, viu a briga (com a participação dos respectivos bancos) e não expulsou ninguém. E o pênalti em Luan não existiu. Já passou da hora de pararmos de endeusar um árbitro que, a despeito de fazer o jogo fluir, não marca faltas que realmente aconteceram.
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segunda-feira, 1 de abril de 2013

Juventus x Bayern. Como os times marcam e sofrem gols na Champions League

Quais são as armas de Juventus e Bayern para o confronto pelas quartas de final da UEFA Champions League? Esquemas Táticos fez um levantamento dos gols marcados e sofridos pelas equipes durante a competição e, agora, apresentamos as armas dos times para os dois jogos. A Juventus empatou os três primeiros jogos, dois fora de casa (contra Chelsea e Nordsjaelland) e um em casa (contra o Shakhtar Donetsk); nos jogos de volta, ganhou todos. Contra o Celtic, nas oitavas de final, venceu os dois confrontos. O Bayern de Munique venceu cinco dos seis jogos da fase de grupos (empatou apenas com o Valência); nas oitavas, bateu o Arsenal, fora de casa, por 3 a 1 no jogo de ida e quase foi eliminado, em casa, no jogo da volta, quando perdeu por 2 a 0.

Como são feitos, e sofridos, os gols de Juventus e Bayern? Bola rolando ou bola parada?

Este é um levantamento exclusivo do Esquemas Táticos. Analisamos todos os gols dos participantes das quartas de final da UEFA Champions League 2012/2013. E os cruzamentos dos dados levam a conclusões interessantes. Uma breve explicação dos tipos ideais dos gols (sim, utilizamos esta categoria sociológica weberiana para melhor caracterizar os contextos em que eles ocorrem) se faz necessária.

Estabelecemos dois tipos de gol: o oriundo de bola parada e o de bola rolando. Dentro desses dois tipos, temos os gols de ataque (quando o time adversário está com sua defesa montada, sem a bola, marcando) e os de contra-ataque (quando a bola é roubada do e/ou perdida pelo adversário e este se encontra com a defesa desmontada porque estava com uma postura ofensiva) como subcategorias dos gols com a bola rolando. Os gols de bola parada foram divididos em gols de pênalti, faltas diretas, faltas indiretas e escanteios.

A Juventus marca seus gols com a bola rolando em 88% das vezes. Os 12% restantes foram marcados em cobranças de escanteio. Dos 88% dos gols com a bola rolando, 76% saíram de jogadas de ataque e 12% de contra-ataques. 

Os gols sofridos (apenas quatro) saíram de ataques adversários (75%) e de uma cobrança de falta direta (25%, ou um gol).

O arsenal do Bayern para marcar gols é variado. Com a bola rolando, o time anotou 67% de seus tentos. Dos 18 gols, 50% deles saíram de jogadas de ataque, 17% de contra-ataques, 11% de faltas diretas, outros 11% de escanteios, 6% de faltas indiretas e outros 6% de pênalti. (Observação: aqui há uma pequena distorção no cálculo, já que para arredondar os percentuais, o programa deu 5% e 6% para faltas indiretas e para pênalti. Entretanto, os dois percentuais são para o mesmo número de gols, ou seja, um tento. Por isso, coloquei ambos com 6%).

O Bayern de Munique sofreu 50% de seus gols após ataques adversários, 30% de cobranças de escanteio e 20% de contra-ataques.

A conclusão que se chega é que temos uma vantagem para a Juventus no que diz respeito aos gols sofridos (levou apenas quatro) e no contexto dos gols marcados. A Juve marca a maioria de seus gols (88%) em ataques e o Bayern sofre metade de seus gols dessa maneira. No entanto, os poucos gols sofridos pelo time italiano são oriundos de ataques adversários (75%), e o Bayern marcou 50% de seus gols em ataques.

Quando os gols são marcados?

O Bayern apresenta um ponto fraco estatisticamente relevante. Leva gols, principalmente, no segundo tempo, majoritariamente nos minutos finais. Dos 10 gols sofridos, dois (20%) foram no primeiro tempo e 80% no segundo. Nos 15 minutos finais e nos acréscimos, o Bayern levou seis gols, ou seja, 60% dos gols sofridos saem no apagar das luzes.

Os gols pró do Bayern de Munique são anotados principalmente no primeiro tempo: 55%. Destes, 33% entre 16 minutos e 30 minutos. Nos 15 minutos finais do jogo, o time alemão marca 22% de seus gols e mais 6% nos acréscimos.

 

Melhor defesa da UEFA Champions League 2012/13, a Juventus sofreu apenas quatro gols, três (75%) no primeiro tempo e um no segundo. Destaque para o fato de a Juventus não levar gols nos finais dos jogos. Depois dos 60 minutos de partida, a Juventus não sofreu gols na atual edição da Champions.



Se por um lado o time leva poucos gols, por outro a Juventus faz bastante. Tem 17 gols no total, um a menos que Bayern e Real Madrid, que lideram esse ranking da Copa dos Campeões da Europa 2012/13. São dois gols a mais que o Barcelona, por exemplo. Os gols são marcados numa proporção quase perfeita entre os dois tempos do jogo: 47% no primeiro e 53% no segundo (sendo que, destes, 6% nos acréscimos).


 
Não levar gols no final dos jogos demonstra grande concentração dos jogadores e atenção na marcação. Esse quesito é essencial se um time sai na frente e tem que segurar o resultado.  

Origem dos gols

Para finalizar, vamos analisar de onde se originam as jogadas de gol. Uma observação metodológica. Os gráficos apresentados dizem respeito à origem da jogada de gol, não de onde a bola foi chutada ou cabeceada.

O Bayern sofreu a maioria de seus gols (60%) a partir de jogadas centrais. As jogadas pelas laterais foram responsáveis por 40% dos gols sofridos pelo Bayern: 20% pela direita e 20% pela esquerda. E o que isso quer dizer?


Bom, levando-se em conta que o Bayern anota 33% de seus gols em jogadas originadas do lado direito do seu ataque, significa que a cobertura feita para as subidas do lateral Lahm (principal responsável pelas jogadas naquele setor) estão bem feitas e sua ofensividade não abre buracos na defesa.


A Juventus fez seus gols pelo centro em 53% das vezes e manteve um equilíbrio nos gols originados pelas laterais do campo: 23% a partir da direita e 24% a partir da esquerda. Os grandes responsáveis pelo “carimbo centralizador” dos gols são Pirlo e Marchisio. As jogadas de gol passam, invariavelmente, por eles.


Quanto aos gols sofridos, 75% deles saem a partir de jogadas pelo centro. Apenas um dos gols sofridos (25%) saiu de jogada pelo lado direito da defesa do time italiano.



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quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

Atlético Mineiro 2 x 1 São Paulo. Análise tática. Copa Libertadores 2013


O Atlético Mineiro venceu o São Paulo por 2 a 1, em Belo Horizonte, no estádio Independência, na primeira partida válida pela fase de grupos da Copa Libertadores da América 2013. O esquema tático do Atlético Mineiro foi o 4-2-3-1. O esquema tático do São Paulo foi o 4-2-3-1 e variou para o 4-4-1-1.

O jogo começou equilibrado, mas depois dos dez minutos iniciais o Atlético Mineiro assumiu o domínio da partida e pressionou o São Paulo em seu campo de defesa. O Atlético abusou das bolas longas e do jogo corrido. Tudo isso foi dito aqui na prévia que fizemos do time para este jogo (Análise tática do Atlético Mineiro. Jogo contra o São Paulo. Copa Libertadores 2013. Prévia). É importante dizer que essa estratégia funcionou.

O 4-2-3-1 foi mantido durante todo o jogo e, inicialmente, foi caracterizado pela constante troca de lados entre Bernard e Tardelli. Depois de algum tempo, Tardelli passou a ficar mais pela direita. Neste setor, Tardelli e Jô passaram a se revezar como centroavante. Tardelli mostrou-se um pouco cansado, sem pique, e fez uma partida bem apagada. No segundo tempo, Bernard e Tardelli voltar a trocar de posição com frequência. Mas Tardelli continuou mal no jogo e foi substituído no segundo tempo por Luan. Tardelli já não acompanhava os jogadores do São Paulo na marcação desde o fim do primeiro tempo. A velocidade do ataque do Atlético exige um condicionamento físico ótimo.

O São Paulo começou o jogo no 4-2-3-1, como analisamos na prévia para o jogo (Análise tática do São Paulo. Jogo contra Atlético Mineiro. Copa Libertadores 2013. Prévia). Os laterais ficaram presos no campo defensivo e o time começou tentando tocar a bola. A correria dos mineiros, entretanto, não deu espaço à tentativa de trocar passes do São Paulo e o time embarcou na estratégia do Atlético. O São Paulo não conseguiu acompanhar o ritmo de jogo do Atlético. Após o gol de Jô (num erro inacreditável da defesa do São Paulo, que deixou Ronaldinho Gaúcho sozinho atrás da defesa após uma cobrança de lateral. Tudo bem que Ronaldinho se aproveitou de uma cortesia de Rogério Ceni. Mas esse tipo de erro é inaceitável), o time foi recuando e sendo cada vez mais pressionado.

 
Nos últimos minutos da etapa inicial, Ney Franco colocou o time no 4-4-1-1. Osvaldo foi recuado para a linha de quatro no meio-campo e passou a jogar pela esquerda. Jádson posicionou-se como meia-atacante entre a linha de meio-campo e o centroavante, Luís Fabiano. A verdade é que o 4-1-4-1 é uma variação do 4-2-3-1, e o São Paulo adotou essa postura porque estava sendo muito atacado e não conseguia marcar.



Na metade do segundo tempo, o São Paulo passou a cadenciar mais o jogo, o Atlético recuou um pouco e foi pressionado. Quando parecia que o São Paulo faria o gol de empate, Ronaldinho Gaúcho puxou um contra-ataque pela direita e cruzou na cabeça de Réver: 2 a 0. Com Aloísio em campo, o São Paulo conseguiu diminuir a vantagem. O Atlético apresentou um ótimo futebol e mostrou que joga muito bem no Independência, uma mistura de campo reduzido com torcida próxima. Entretanto, em campos maiores, o time não consegue utilizar a bola longa, sua característica mais forte. O São Paulo, quando passou a trocar passes e cadenciar o jogo, teve uma atuação melhor. O time, além disso, sofreu com as bolas altas na área e preocupou-se muito em colocar seus meias e atacantes para marcar. Quando saíram para o jogo, o time melhorou. Curtam a Fan Page do Esquemas Táticos no Facebook.com/esquemastaticos, sigam o @esquemastaticos no Twitter e inscrevam-se no Canal do Esquemas Táticos no YouTube. Também estamos no Google Plus, procurem-nos por lá e adicionem aos seus círculos.













Análise tática do Atlético Mineiro. Jogo contra o São Paulo. Copa Libertadores 2013. Prévia

O Atlético Mineiro, sob o comando do técnico Cuca, atua no 4-2-3-1. Com a chegada de Diego Tardelli, houve algumas mudanças no posicionamento e na estratégia do time. Basicamente, o time tem uma defesa em que o lateral-direito, Marcos Rocha, tem mais liberdade para atacar e Júnior César, o lateral-esquerdo, fica mais preso no campo defensivo. Os zagueiros são especialistas em bolas aéreas e têm um papel fundamental nas estratégias de bola parada do Atlético. Além disso, também esticam bolas longas para a velocidade dos atacantes (principalmente Bernard) e para o centroavante Jô. Falaremos disso adiante.




O meio-campo conta com dois volantes de marcação. Leandro Donizete vai mais ao ataque, arrisca chutes de fora da área e tem a responsabilidade de cobrir as subidas do lateral-direito Marcos Rocha. No jogo contra o São Paulo, Marcos Rocha provavelmente ficará mais preso para marcar o atacante Osvaldo, que atua no seu setor. A linha de três que joga à frente da dupla de volantes conta com um ponta (Bernard), um meia-atacante (Ronaldinho Gaúcho) e um segundo-atacante/centroavante (Diego Tardelli). Quais as peculiaridades disso? Significa que é um trio muito rápido, muito agudo nas chegadas à área adversária, técnico e habilidoso. Mas que tem dificuldades de armar o jogo. Não é à toa que o Atlético recorre tanto a bolas longas e bolas paradas.

Por que o centroavante Jô não foi sacado do time com a chegada de Tardelli, já que este se notabilizou no Atlético Mineiro jogando de centroavante? Porque todas as jogadas fortes do Atlético utilizam a bola alçada na área do adversário. E Jô é alto e bom de cabeceio. Ele é arma nas faltas laterais, escanteios e nos cruzamentos de Bernard e Ronaldinho. Além disso, ele faz muito bem o pivô e escora bem as bolas altas lançadas pelos zagueiros, volantes e meias a partir do campo defensivo. Ele cabeceia pra trás e encontra os técnicos jogadores da linha de três prontos pra finalizar ou penetrar na área.  

Tardelli

Nos treinos para os jogos da Copa Libertadores, Cuca tem colocado Bernard pela direita e Tardelli pela esquerda. Também testou uma estratégia em que eles trocam de lado ao longo do jogo. A chegada de Tardelli deixa o Atlético bem mais ofensivo e, ao mesmo tempo, mais vulnerável. Se, em 2012, Cuca não teria dúvidas na hora de sacar Escudero ou Guilherme para fechar mais o time do lado direito, agora é mais difícil. Vai tirar Tardelli? Bernard? Ronaldinho? É uma boa dor de cabeça, já que tem ótimos e decisivos jogadores.

Por outro lado, ele ganha uma variação tática que é, ao mesmo tempo, ofensiva e defensiva. Cuca pode colocar Tardelli como centroavante, sacar Jô, e atuar com Ronaldinho e Bernard abertos pelos lados no 4-3-3 com três volantes (Gilberto Silva mais recuado que Pierre e Leandro Donizete) ou no 4-1-4-1 com Gilberto Silva à frente da defesa. Estes dois esquemas são intercambiáveis e permitem que os laterais possam se lançar com mais segurança ao ataque, já que contam com um volante de cada lado para cobri-los além de um central.

Abaixo, a formação utilizada pelo Atlético no primeiro tempo do jogo contra o Cruzeiro.


 O próximo desenho, mostramos como o Atlético jogou no segundo tempo do jogo contra o Cruzeiro.





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terça-feira, 12 de fevereiro de 2013

Análise tática do São Paulo. Jogo contra Atlético Mineiro. Copa Libertadores 2013. Prévia

O São Paulo, em seus domínios, normalmente atua no 4-2-3-1. Os dois laterais sobem alternadamente ao ataque, com a predominância de Cortez pelo lado esquerdo. Os dois volantes caracterizam-se pela marcação forte no meio-campo. Denílson tem mais liberdade para avançar ou começar as jogadas no campo de defesa. Frequentemente, Jádson, que atua na linha de três do meio-campo, volta para armar o time ao lado dos volantes, de onde faz lançamentos em profundidade para Osvaldo, Aloísio e Luís Fabiano.
A linha de três do São Paulo é formada por um centroavante adaptado como atacante de lado de campo — Aloísio —, um ponta-esquerda — Osvaldo — e um meia-atacante de origem que está se adaptando bem à posição de armador — Jádson. O esquema tático do São Paulo é feito sob medida para que Ganso se encaixe nele, mas suas más atuações, e as boas de Jádson, não concretizaram essa tese.

Note que esta esquematização é a do São Paulo que joga em casa. Fora de casa, Ney Franco coloca o time um pouco mais conservador, mais recuado. E ele faz isso mexendo em duas posições e com um jogador. Ele tira Aloísio, que joga pela direita na linha de três do 4-2-3-1 e adianta Douglas para jogar como ala-direito. Na lateral direita, coloca o zagueiro Paulo Miranda.


Ou seja, o lado direito fica bem fechado com um zagueiro atrás e um ala, que compõe melhor o meio-campo que um atacante como Aloísio, e ainda melhora a marcação nos setores direito e de meio-campo. Além disso, Paulo Miranda pode se deslocar mais para o centro durante as subidas do lateral-esquerdo Cortez e fechar a defesa com três zagueiros.

Especificamente contra o Atlético Mineiro, essa mudança da maneira de jogar do São Paulo fora de casa será muito importante. O setor esquerdo de ataque do Atlético é forte e contará com Diego Tardelli e Ronaldinho, que cai muito por aquele lado, mesmo jogando centralizado. Além disso, o técnico do Atlético, Cuca, poderá optar por deslocar Bernard da direita para a esquerda, já que é neste setor que o jogador sempre atuou e rende mais. Ney Franco terá que contar muito com os zagueiros Lúcio, Rhodolfo e Paulo Miranda para conter as bolas altas do Atlético com Jô e os zagueiros Réver e Leonardo Silva. Esta é a jogada mais forte, e também mais manjada, do Atlético. Lembrando que os volantes do São Paulo são baixos e não terão como ajudar muito nisso.

O setor de ataque pela esquerda, com Osvaldo, Cortez e Jádson caindo por ali, será o mais importante na busca do gol. O lateral-direito atleticano Marcos Rocha gosta de subir ao ataque e, embora vá ficar mais fixo atrás, não é um exímio marcador. O volante Leandro Donizete deve auxiliá-lo por ali, assim como Bernard, que ajuda muito na marcação. Reduzir o campo para explorar a velocidade dos atacantes, característica das duas equipes, não será uma opção muito frequente, já que o campo do estádio Independência é pequeno.

Enfim, será um bom duelo na Copa Libertadores 2013 entre ataques rápidos, jogadores técnicos e dois bons técnicos. Curtam a Fan Page do Esquemas Táticos no Facebook.com/esquemastaticos, sigam o @esquemastaticos no Twitter e inscrevam-se no Canal do Esquemas Táticos no YouTube. Também estamos no Google Plus, procurem-nos por lá e adicionem aos seus círculos.

Faremos uma Twitcam Tática do confronto entre Atlético Mineiro e São Paulo. A #TwitcamTatica, assim como os vídeos do Esquemas Táticos, são gráficos animados em que mostramos as movimentações dos jogadores e explicamos os esquemas táticos das equipes numa transmissão ao vivo em que você pode perguntar e participar em tempo real. Acompanhe o Esquemas Táticos no Twitter e no Facebook e fique sabendo o dia e horário da #TwiitcamTatica.













quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

Inglaterra 2 x 1 Brasil. Analise tática. Amistoso

A Inglaterra venceu o Brasil por 2 a 1, no estádio de Wembley, em Londres. O esquema tático da Inglaterra foi o 4-1-4-1. O esquema tático do Brasil foi o 4-2-3-1. O jogo marcou a reestreia de Felipão à frente da Seleção Brasileira.

Análise tática

No 4-2-3-1, o Brasil começou o jogo com Neymar pela direita, Oscar pelo centro e Ronaldinho pela esquerda. Mas óbvio se impôs e Neymar foi jogar ao lado de Ronaldinho, revezando de posição com ele entre centro e esquerda. Oscar ficou pela direita e, de vez em quando, trocava de posição com Neymar pelo centro.
O maior problema do ataque brasileiro foi o isolamento de Luís Fabiano. Problema que se repetiu no segundo tempo com Fred, apesar do gol e de uma bola na trave ainda no início. O isolamento do centroavante no 4-2-3-1 vem desde Parreira, em 2010, e se repetiu com Mano Menezes. O 4-2-3-1 é um esquema que não favorece o centroavante. Podem observar.
A Inglaterra jogou melhor. No 4-1-4-1, conseguiu criar mais chances e mostrou mais qualidade quando teve a bola. Gerrard atuou como o “1” entre a linha de defesa e a de meio-campo. Foi o volante-armador e jogou livre, sem marcação, e protegido para pelos meias centrais, Wilshere e Cleverley, para pensar o jogo e fazer lançamentos.
No segundo tempo, Walcott, apagado na primeira etapa, acordou e fez muitas jogadas pela ponta direita. Foi o destaque da seleção inglesa no segundo tempo. Na primeira etapa, a Inglaterra centralizou muito o jogo, inclusive com seus laterais, que avançavam em diagonal. O que foi uma boa estratégia, diga-se, já que com volantes que gostam de sair para o jogo, o Brasil marcava mal pelo miolo. O primeiro gol inglês, inclusive, saiu pelo centro, com Rooney.
Os laterais brasileiros, por sua vez, pouco avançaram e praticamente não fizeram jogadas de linha de fundo. Aliás, só Adriano chegou à linha de fundo uma vez pelo Brasil. E não cruzou. Centroavante sofre no 4-2-3-1 em que os jogadores laterais não vão à linha de fundo... No segundo tempo, com Neymar mais fixo pela esquerda, enfim saíram mais jogadas pela ponta.  

Destaques do jogo

Ronaldinho foi mal. Não foi bem pelo centro nem pela esquerda. Não qualificou o passe no meio, como se esperava, e ainda errou um pênalti. Oscar vai melhor por ali. Mas Oscar também não se apresentou bem, assim como Neymar brilhou como de costume. Dante, o estreante, não comprometeu. David Luiz também não. Júlio César voltou bem e fez grandes defesas. Salvou o Brasil de levar mais gols. Ramires é um ótimo jogador, mas é mais adequado para estratégias em que se utiliza o contra-ataque ou três volantes. Com dois volantes, o melhor é ter um jogador com melhor passe, que possa armar o jogo quando os três meias atacantes estiverem marcados. Arouca é mais adequado.
Entre os ingleses, destaco o esquema tático inteligente, com Gerrard como volante-armador, protegido pelos meias centrais da linha de quatro. Ali ele pensa, passa e arma o jogo. Walcott incendiou o jogo no segundo tempo, ganhando todos os embates com Adriano. Welbeck não foi bem no ataque, assim como seu substituto, Milner. Entretanto, ambos, assim como Ashley Cole e Baines, não permitiram nenhuma jogada em seu setor, seja com Oscar, Neymar, Lucas ou Daniel Alves. Wilshere, com sua juventude e técnica, permitiu que Lampard e Gerrard pudessem brilhar ainda mais. Siga o @esquemastaticos pelo Twitter e acompanha análises em tempo real dos jogos, além de twitcams táticas com gráficos animados. Curta a Fan Page do Esquemas Táticos no Facebook.com/esquemastaticos

quarta-feira, 19 de setembro de 2012

Real Madrid sai perdendo e vira contra o Manchester City na abertura da Champions League

O Real Madrid venceu o Manchester City por 3 a 2, no Santiago Bernabéu, em Madri, na primeira partida da fase de grupos da Liga dos Campeões da Europa. O esquema tático do Real Madrid foi o 4-3-3. O esquema tático do Manchester City foi o 4-2-3-1.

Num jogo em que o Real Madrid dominou a maior parte do tempo, foi o Manchester City o responsável por colocar fogo na partida. Atuando no 4-2-3-1 durante todo o primeiro tempo e início do segundo, o técnico Roberto Mancini resolveu dar mais poder ofensivo ao, até então, massacrado Manchester City. Tirou David Silva, desperdiçado na direita tentando marcar o lateral Marcelo, e promoveu a entrada do centroavante Dzeko. Praticamente na primeira bola que ele tocou, saiu o gol do Manchester City. Mas vamos contar a história tática da partida antes.



O Real Madrid, pressionado pelos maus resultados em casa, foi a campo num 4-3-3 ousado. Com problemas de relacionamento com alguns jogadores, o técnico José Mourinho escalou o jovem Varane no lugar de Sérgio Ramos e ao lado de Pepe. As laterais ficaram com Arbeloa (direita) e Marcelo (esquerda).

No meio campo é que veio a maior inovação: Xabi Alonso como volante-armador recuado, jogando atrás de Essien (esquerda) e Khedira (direita). Pelo desenho tático do meio campo e pelas peças escolhidas, logo se percebeu que Mourinho queria pressionar o adversário em seu campo e jogar no ataque.

Deu certo. Com Cristiano Ronaldo pela direita, Di María pela esquerda e Higuaín como centroavante, o Real Madrid pressionou a saída de bola adversária, fez diversos desarmes no campo do City e sempre esteve rondando o gol do time inglês. Aliás, não apenas rondando, mas criando jogadas efetivas, de perigo de gol. Principalmente no primeiro tempo e início do segundo. Mas não fez o gol...



O Manchester City foi massacrado no primeiro tempo. Praticamente não chutou a gol e jogou muito recuado. O técnico Roberto Mancini colocou o time no 4-2-3-1. Como já cansamos de discutir por aqui, esquema tático não é garantia de time ofensivo nem defensivo. O que vale é a postura do time em campo e a estratégia montada. Pois o City jogou muito recuado e não tinha estratégia nenhuma envolvida nessa retranca. O time não armou nenhum contra-ataque no primeiro tempo. Apanhou calado, digamos assim.

A defesa teve Maicon na lateral direita, Kompany e Nastasic como zagueiros e Clichy na lateral esquerda. Clichy ficou preso no campo defensivo, assim como Maicon. Mancini não soube criar um sistema que protegesse as subidas do lateral-direito para que ele pudesse, ao menos, assustar o setor esquerdo do Real, o mais forte do time espanhol. Maicon teve que marcar um excelente Cristiano Ronaldo no primeiro tempo e, mesmo com o português caindo de rendimento na segunda etapa, não avançou.

No meio campo, Javi Garcia e Barry foram os volantes de contenção e nada acrescentaram à marcação do City. Não conseguiam barrar os volantes/meias do Real Madrid, Essien e Khedira, e não cobriam os laterais. Os meias da linha de três – David Silva (direita), Yayá Tourè (centro) e Kolarov (esquerda. Entrou no lugar de Nasri, que se machucou ainda no primeiro tempo) – pouco acrescentaram aos sistemas ofensivo e defensivo do time. Silva, um meia-atacante rápido e habilidoso, ficou preso na direita para marcar Marcelo. Kolarov, um jogador de força que gosta de ir à linha de fundo, não conseguiu superar Arbeloa, que mais marcou que avançou. Yayá Tourè, atuando como meia com liberdade para ir à frente, não surpreende tanto quanto poderia sendo um segundo-volante mais recuado que arranca em velocidade ao ataque.

Só quando Mancini resolveu mudar a estratégia do time (ou criar uma, já que o time estava perdido) o jogo mudou. Mancini sacou Silva, colocou o centroavante Dzeko, recuou Tevez para atuar como segundo-atacante e deslocou Yayá Tourè para lugar de Silva no meio campo pela direita. O City passou a atuar no 4-4-2 com os atacantes jogando alinhas verticalmente (1-1).

O time ganhou força ofensiva, fez 1 a 0 num contra-ataque, e passou a disputar o jogo, até então dominado pelo Real Madrid. O time espanhol ameaçou um desespero, se desorganizou e seus jogadores entraram numa correria que quase deu o segundo gol ao Manchester City. O gol do Real Madrid saiu na hora exata para serenar os jogadores e, mesmo levando o segundo gol do City, o time soube reagir, empatar e virar o jogo com Cristiano Ronaldo, que estava apagado na segunda etapa apesar do ótimo primeiro tempo.

Vitória merecida do Real Madrid, que jogou melhor, mas precisa aprender a manter a calma em momentos capitais do jogo. O Manchester City, principalmente Mancini, precisa perceber que tem um grande elenco à disposição e que pode jogar de igual para igual com qualquer grande clube europeu. Basta acreditar e escolher as peças, a estratégia e o esquema tático correto para cada jogo.













segunda-feira, 27 de agosto de 2012

Vasco 1 x 2 Fluminense. Análise tática. Campeonato Brasileiro 2012. 19ª rodada

O Fluminense venceu o Vasco, no Engenhão, por 2 a 1 pela 19ª rodada do Campeonato Brasileiro 2012. O esquema tático do Vasco foi o 4-3-3. O esquema tático do Fluminense foi o 4-4-2 (4-2-2-2).

Vasco



Com a derrota para o Fluminense, o Vasco completou quatro jogos sem vitória e se distanciou ainda mais da liderança. Nos últimos jogos, o time tem mostrado um ataque sem força, um meio campo pouco povoado e que combate pouco. Atuando no 4-3-3 contra o Fluminense, o time contou com apenas um volante de marcação típico: Nilton. Wendel é um volante que avança e Juninho é um volante-armador pela direita que não tem a marcação como seu ponto forte.

Quando Felipe atua junto com Juninho, o time ganha qualidade no passe e na armação, mas perde força no ataque e na marcação do meio campo. Os dois não conseguem recompor com rapidez. Carlos Alberto está oscilando muito entre uma partida e outra. Alecsandro está mal há alguns jogos e Bárbio também. Tenório, melhor atacante do Vasco no momento, está com problemas físicos.

O lado direito é o mais forte do Vasco, mas tem sido implacavelmente marcado pelos adversários. Neste setor atuam o lateral-direito Auremir e Juninho, volante-armador pela direita. O setor esquerdo é frágil no apoio ao ataque. William Matheus, lateral-esquerdo, pouco vai ao ataque porque tem a obrigação de cobrir os avanços de Wendel, volante que atua pela centro-esquerda.

O Fluminense colocou Wellington Nem para atuar no ataque caindo pela esquerda, impedindo os avanços de Auremir, explorando o lado direito da defesa do Vasco, assim como já tinham feito Atlético-MG e Flamengo.

Fluminense



O Fluminense atuou no 4-4-2 com dois volantes e dois meias, o 4-2-2-2. Edinho e Jean foram os volantes de marcação e Wagner e Thiago Neves foram os meias. No ataque, como dissemos, Wellington Nem caindo pela esquerda como segundo atacante e Fred como centroavante.

O 4-4-2 do Fluminense tem sido utilizado na maior parte dos jogos do Campeonato Brasileiro. Abel Braga tem utilizado, e bem, a qualidade dos meias disponíveis no elenco. Para utilizar também os bons atacantes à disposição, Abel Braga tem que escalar dois volantes duros, puramente de marcação, para dar equilíbrio defensivo à equipe. Jean, o único volante que vai à frente, avançou pouco no jogo contra o Vasco.

O lateral-esquerdo Carlinhos avançou bastante, dando opção ao ataque tricolor no setor. A cobertura foi feita por Edinho, que praticamente não passou da linha do meio campo. Bruno, o lateral-direito, fica mais preso no campo defensivo, dando mais liberdade ofensiva a Thiago Neves.

Wagner teve boa atuação e puxou diversos contra-ataques pela esquerda. Foi dele, inclusive, o cruzamento para o primeiro gol do Fluminense, marcado por Thiago Neves. No primeiro tempo, as defesas levaram vantagem sobre os ataques. Fred e Alecsandro pouco apareceram. A qualidade técnica de Thiago Neves desequilibrou o clássico a favor do Fluminense.













domingo, 19 de agosto de 2012

Wigan 0 x 2 Chelsea. Análise tática. Campeonato Inglês. 1ª rodada

Com um início de jogo arrasador, o Chelsea fez 2 a 0 no Wigan com cinco minutos de jogo na casa do adversário (DW Stadium, em Wigan). O destaque da partida foi o belga Eden Hazard. O jogo também marcou a estreia do meia brasileiro Oscar, que começou no banco de reservas, entrou no lugar de Hazard e foi bem na partida. O esquema tático do Wigan foi o 3-4-3. O esquema tático do Chelsea foi o 4-4-2.

O Chelsea não deu muitas chances ao Wigan porque, em cinco minutos, abriu 2 a 0 com Ivanovic e Lampard, de pênalti. Nas duas jogadas, Hazard teve participação decisiva porque deu o passe para o primeiro gol e sofreu o pênalti convertido por Lampard. O Wigan dominou as ações no primeiro tempo, mas criou poucas chances efetivas de gol. O Chelsea trancou a área para o adversário e também não voltou a criar grandes oportunidades. No final, o Wigan teve mais posse de bola (52%) que o Chelsea (48%).



O Wigan jogou no 3-4-3 com três zagueiros fixos atrás, sem líbero. Alcaraz apareceu algumas vezes, timidamente, pela direita. O meio campo teve dois volantes (McCarthy e McArthur), um meia pela direita (Boyce) e um meia-atacante pela centro-esquerda (Maloney). No ataque, três jogadores: Moses pela ponta direita, Di Santo como centroavante e Figueroa como ponta-esquerda.



O Chelsea jogou no 4-4-2 com uma linha no meio campo formada por (da direita para a esquerda) Mata, Obi Mikel, Lampard e Bertrand. No ataque, Hazard como segundo atacante pela centro-direita e Fernando Torres como centroavante. Com a posse de bola, Mikel ficou como primeiro-volante, praticamente sem avançar além da linha central, e Mata centralizava para ajudar Lampard na armação das jogadas. Sem a bola, pode-se perceber que, em algumas recomposições em contra-ataques do Wigan, Hazard ocupava a posição de meia aberto pela direita e Mata ficava centralizado, dando o bote na marcação de meio campo.



No segundo tempo, o meia brasileiro Oscar fez sua estreia no Campeonato Inglês entrando no lugar de Hazard. Oscar foi vendido pelo Internacional por R$ 79 milhões ao Chelsea. O desenho do Chelsea mudou um pouco. Oscar ficou centralizado, à frente da linha de meio campo do Chelsea e atrás de Torres, como um meia-atacante. Oscar jogou bem, dando um chute com perigo e um belo passe em suspensão da entrada da área.












sábado, 18 de agosto de 2012

Vasco 2 x 2 Coritiba. Análise Tática. Campeonato Brasileiro 17ª rodada

O Vasco perdeu a chance de reassumir a vice-liderança do Campeonato Brasileiro 2012 e o Coritiba evitou cair para a zona de rebaixamento com o empate em 2 a 2, em São Januário, pela 17ª rodada. O esquema tático do Vasco foi o 4-4-2 e o esquema tático do Coritiba foi o 4-2-3-1.



Mantendo praticamente o mesmo esquema tático há dois anos, o Coritiba entrou no 4-2-3-1 com Rafinha, pela esquerda, também fazendo o papel de ponta. E esta função de Rafinha foi determinante para anular o lado mais forte do Vasco. Sem poder subir, Auremir desempenhou um papel mais defensivo, ele que é o lateral mais ofensivo do Vasco. William Matheus, pela esquerda, quase não sobe.

A presença insinuante de Rafinha pela esquerda também sobrecarregou Juninho, que atuou como meia-direita. Único armador do Vasco, já que Felipe jogava mais adiantado pela meia-esquerda, Juninho teve que marcar pela direita, se deslocar atrás dos volantes para buscar bola e chegar mais à frente pelo centro. Ficou sobrecarregado no 4-2-2-2 do Vasco no primeiro tempo.



Tanto que, no segundo tempo, o técnico Cristóvão Borges teve que modificar o desenho da equipe. Wendell passou a subir menos e formou, com Nilton, a dupla de volantes marcadores à frente da área do Vasco. Juninho jogou à frente dos dois, com a função de volante-armador. Felipe jogou mais adiantado, como meia-armador. Na frente, Carlos Alberto e Alecsandro foram os atacantes. A formação pode ser descrita como um 4-3-1-2, com dois atacantes jogando paralelamente. O time melhorou porque povoou mais o meio campo.



E povoar o meio campo foi a estratégia utilizada, desde o início, pelo técnico do Coritiba Marcelo Oliveira. Com cinco homens no setor, o time do Coritiba fez o Vasco correr desordenadamente atrás da bola durante todo o primeiro tempo. Com os laterais presos no campo de defesa, o Coritiba pôde se dar ao luxo de ter Júnior Urso subindo ao campo de ataque para fazer o primeiro gol do time. Lembrando que Júnior Urso era o responsável pela marcação de Felipe, que pouco fez no primeiro tempo.

Percebendo a fragilidade do meio campo e a pouca efetividade do lado esquerdo do Vasco, Cristovão Borges colocou Carlos Alberto para jogar no ataque pela esquerda, com Alecsandro pela direita, e tirou William Barbio, que era o segundo-atacante pela direita no primeiro tempo. O Vasco empatou o jogo logo no início do segundo tempo.



O Vasco melhorou e passou a pressionar. Marcelo Oliveira, então, abriu mão do trio de meias/meias-atacantes do Coritiba e colocou um volante pela meia-direita, para ajudar na marcação de Carlos Alberto, que entrou bem no jogo. O Coritiba passou a atuar no 4-3-2-1, mas com liberdade para Gil (entrou no lugar de Robinho) subir e Everton Ribeiro cair pela esquerda como meia-atacante. Com Lincoln centralizado, o time melhorou a qualidade do passe e prendeu mais a bola. Com esta formação, o Coritiba conseguiu empatar novamente um jogo em que o Vasco tinha conseguido a virada. Final: Vasco 2, Coritiba 2.













domingo, 20 de maio de 2012

Bayern de Munique 1 (3) x (4)1 Chelsea. Final da Champions League 2011-2012. Chelsea campeão europeu

O Chelsea venceu o Bayern de Munique por 4 a 3 (nos pênaltis. No tempo normal e na prorrogação o jogo terminou 1 a 1) neste sábado, 19 de maio, pela final da Liga dos Campeões da Europa e sagrou-se campeão europeu. A final, na Arena de Futebol de Munique (Allianz Arena), apresentou o Bayern no 4-2-3-1 e o Chelsea no 4-4-1-1.

Bayern de Munique

Mesmo com o domínio das ações na maior parte do jogo, o Bayern não conseguiu concretizar suas diversas chances de gol e acabou derrotado na final da UEFA Champions League 2011-2012. Atuando no 4-2-3-1 (transformando-se em 4-2-1-3 e até no 4-2-4), o Bayern ficou mais tempo no campo ofensivo, mas abriu espaços para os contra-ataques do Chelsea, que armou uma retranca e apostou nas bolas paradas e, claro, nos contra-golpes.



Com desfalques no setor defensivo (Alaba, Badstuber e Luiz Gustavo), o técnico do Bayern, Jupp Heynckes, improvisou o volante Tymoshchuk como zagueiro central, recuou Tony Kroos para a cabeça-de-área e colocou o jovem Contento na lateral-esquerda. Foram grandes desfalques porque Alaba é uma das grandes revelações da lateral esquerda atualmente, Luiz Gustavo é um bom volante e poderia suprir a falta de Badstuber na defesa e Badstuber pode atuar como zagueiro pela esquerda e lateral-esquerdo. Mas o Chelsea tinha mais desfalques (veja abaixo).

Com Kroos e Schweinsteiger como volantes, o Bayern assumiu o controle do meio-campo e ditou o ritmo, embora com alguma fragilidade na marcação. Mas como o Chelsea apostava nos contra-ataques, Jupp Heynckes fez bem em colocar jogadores mais leves para acompanhar os "ingleses" na corrida. O problema é que Kroos é um jogador limitado, diferentemente do que muitos pensavam no início de sua carreira. Não ousa, só toca de lado e não é decisivo. Outro que falha no quesito "mente forte" e decisão é Thomas Müller. O jogador preocupa-se apenas com seu próprio desempenho, pouco ajuda na marcação no meio-campo e fica abalado muito facilmente. É habilidoso e tem boa técnica, mas não é decisivo. Schweinsteiger foi o melhor jogador do Bayern e não pode ser crucificado pelo pênalti perdido.

Robben e Ribèry atuaram bem, mas não no nível que podem. Foram bem, mas não "arrebentaram". Mário Gomez sumiu e nada fez. Tymoshchuk marcou bem Drogba e Boateng ficou na sobra. Quando dizemos "bem" significa que bloqueou a maioria das tentativas do atacante, que é um dos melhores do mundo. Nas bolas altas, por exemplo, a defesa do Bayern perdeu todas para Didier Drogba. Boateng, muito inseguro, falhou no gol de Drogba. Lahm e Contento não comprometeram, mas também não surpreenderam.


Talvez por ser um time jovem, o Bayern não tenha conseguido manter a tranquilidade numa partida que dominou amplamente com 64% de posse de bola, 35 chutes a gol (sendo 7 no alvo) contra 9 do Chelsea (3 no alvo) e 20 escanteios a favor contra 1 do Chelsea, que foi a jogada do gol. Isso mostra o lado psicológico fraco do time do Bayern. Como dissemos no Twitter e no Facebook, mentalmente o Chelsea foi melhor.


Chelsea

O Chelsea montou uma retranca para encarar o Bayern de Munique na Allianz Arena, mas não tão forte quanto a que armou contra o Barcelona. O esquema tático do Chelsea foi o 4-4-1-1 (contra o Barcelona foi o 4-1-4-1), transformando-se também no 4-1-3-1-1, já que Mikel praticamente não deixava o campo defensivo. O meio-campo teve Mikel (primeiro-volante pelo centro e pela centro-direita), Bertrand (meia/volante pela esquerda), Lampard (meia/volante pela centro-esquerda ou pelo centro) e Kalou (meia pela direita que se transformava em meia-atacante). Mata foi o armador e meia-atacante pelo centro à frente da linha de meio-campo). Drogra foi o centroavante.



Com esta linha de meio-campo que se metamorfoseava de acordo com a posse de bola do time, o Chelsea apostou no contra-ataque e nas bolas paradas. Com um esquema tático bem montado e jogadores disciplinados, o Chelsea poderia ter se arriscado mais pela qualidade dos jogadores que tem, mesmo com desfalques importantes como Ramires, Terry, Raul Meireles e Ivanovic. Roberto Di Matteo não quis mexer muito no esquema e na estratégia que deram certo nos jogos contra o Barcelona. Mexeu só um pouquinho, como dissemos.

Tanto que preferiu colocar um estreante em Champions League, Bertrand, a arriscar um time com dois atacantes ou um meia mais ofensivo pelos lados. Mata foi posicionado como o ponta-de-lance pelo centro para atuar como armador e como meia-atacante, auxiliando Drogba quando o time estivesse com a bola.

Drogba ganhou todas as bolas pelo alto provenientes de chutões e tiros de meta. Por baixo, teve dificuldades em vencer Tymoshchuk. Mas foi decisivo no tempo normal (fez o gol de empate) e na decisão por pênaltis. Cech fez grandes defesas durante o jogo e ainda defendeu um pênalti. O gol que levou de Müller era difícil (não impossível de evitar). É o goleiro mais confiável do mundo hoje.

A defesa foi bem, bastante auxiliada pelo meio-campo que marcou muito, principalmente com Mikel. Cole, David Luiz, Cahill e Bosingwa falharam muito pouco.

O Chelsea mostrou que, mentalmente, esteve muito mais equilibrado que o Bayern. Teve um escanteio a favor: fez o gol. Começou as cobranças de pênaltis atrás: virou. Às vezes as pessoas criticam quando dizemos que os principais fatores que decidem uma partida são, nesta ordem: técnica dos jogadores; força psicológica da equipe; e esquema tática e estratégia de jogo. O técnico é considerado "Gênio" (um exagero, claro) quando consegue subverter essa ordem. Mas ontem o Chelsea conseguiu superar a melhor técnica dos jogadores do Bayern.

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