Bayern de Munique 1 (3) x (4)1 Chelsea. Final da Champions League 2011-2012. Chelsea campeão europeu

O Chelsea venceu o Bayern de Munique por 4 a 3 (nos pênaltis. No tempo normal e na prorrogação o jogo terminou 1 a 1) neste sábado, 19 de maio, pela final da Liga dos Campeões da Europa e sagrou-se campeão europeu. A final, na Arena de Futebol de Munique (Allianz Arena), apresentou o Bayern no 4-2-3-1 e o Chelsea no 4-4-1-1.

Bayern de Munique

Mesmo com o domínio das ações na maior parte do jogo, o Bayern não conseguiu concretizar suas diversas chances de gol e acabou derrotado na final da UEFA Champions League 2011-2012. Atuando no 4-2-3-1 (transformando-se em 4-2-1-3 e até no 4-2-4), o Bayern ficou mais tempo no campo ofensivo, mas abriu espaços para os contra-ataques do Chelsea, que armou uma retranca e apostou nas bolas paradas e, claro, nos contra-golpes.



Com desfalques no setor defensivo (Alaba, Badstuber e Luiz Gustavo), o técnico do Bayern, Jupp Heynckes, improvisou o volante Tymoshchuk como zagueiro central, recuou Tony Kroos para a cabeça-de-área e colocou o jovem Contento na lateral-esquerda. Foram grandes desfalques porque Alaba é uma das grandes revelações da lateral esquerda atualmente, Luiz Gustavo é um bom volante e poderia suprir a falta de Badstuber na defesa e Badstuber pode atuar como zagueiro pela esquerda e lateral-esquerdo. Mas o Chelsea tinha mais desfalques (veja abaixo).

Com Kroos e Schweinsteiger como volantes, o Bayern assumiu o controle do meio-campo e ditou o ritmo, embora com alguma fragilidade na marcação. Mas como o Chelsea apostava nos contra-ataques, Jupp Heynckes fez bem em colocar jogadores mais leves para acompanhar os "ingleses" na corrida. O problema é que Kroos é um jogador limitado, diferentemente do que muitos pensavam no início de sua carreira. Não ousa, só toca de lado e não é decisivo. Outro que falha no quesito "mente forte" e decisão é Thomas Müller. O jogador preocupa-se apenas com seu próprio desempenho, pouco ajuda na marcação no meio-campo e fica abalado muito facilmente. É habilidoso e tem boa técnica, mas não é decisivo. Schweinsteiger foi o melhor jogador do Bayern e não pode ser crucificado pelo pênalti perdido.

Robben e Ribèry atuaram bem, mas não no nível que podem. Foram bem, mas não "arrebentaram". Mário Gomez sumiu e nada fez. Tymoshchuk marcou bem Drogba e Boateng ficou na sobra. Quando dizemos "bem" significa que bloqueou a maioria das tentativas do atacante, que é um dos melhores do mundo. Nas bolas altas, por exemplo, a defesa do Bayern perdeu todas para Didier Drogba. Boateng, muito inseguro, falhou no gol de Drogba. Lahm e Contento não comprometeram, mas também não surpreenderam.


Talvez por ser um time jovem, o Bayern não tenha conseguido manter a tranquilidade numa partida que dominou amplamente com 64% de posse de bola, 35 chutes a gol (sendo 7 no alvo) contra 9 do Chelsea (3 no alvo) e 20 escanteios a favor contra 1 do Chelsea, que foi a jogada do gol. Isso mostra o lado psicológico fraco do time do Bayern. Como dissemos no Twitter e no Facebook, mentalmente o Chelsea foi melhor.


Chelsea

O Chelsea montou uma retranca para encarar o Bayern de Munique na Allianz Arena, mas não tão forte quanto a que armou contra o Barcelona. O esquema tático do Chelsea foi o 4-4-1-1 (contra o Barcelona foi o 4-1-4-1), transformando-se também no 4-1-3-1-1, já que Mikel praticamente não deixava o campo defensivo. O meio-campo teve Mikel (primeiro-volante pelo centro e pela centro-direita), Bertrand (meia/volante pela esquerda), Lampard (meia/volante pela centro-esquerda ou pelo centro) e Kalou (meia pela direita que se transformava em meia-atacante). Mata foi o armador e meia-atacante pelo centro à frente da linha de meio-campo). Drogra foi o centroavante.



Com esta linha de meio-campo que se metamorfoseava de acordo com a posse de bola do time, o Chelsea apostou no contra-ataque e nas bolas paradas. Com um esquema tático bem montado e jogadores disciplinados, o Chelsea poderia ter se arriscado mais pela qualidade dos jogadores que tem, mesmo com desfalques importantes como Ramires, Terry, Raul Meireles e Ivanovic. Roberto Di Matteo não quis mexer muito no esquema e na estratégia que deram certo nos jogos contra o Barcelona. Mexeu só um pouquinho, como dissemos.

Tanto que preferiu colocar um estreante em Champions League, Bertrand, a arriscar um time com dois atacantes ou um meia mais ofensivo pelos lados. Mata foi posicionado como o ponta-de-lance pelo centro para atuar como armador e como meia-atacante, auxiliando Drogba quando o time estivesse com a bola.

Drogba ganhou todas as bolas pelo alto provenientes de chutões e tiros de meta. Por baixo, teve dificuldades em vencer Tymoshchuk. Mas foi decisivo no tempo normal (fez o gol de empate) e na decisão por pênaltis. Cech fez grandes defesas durante o jogo e ainda defendeu um pênalti. O gol que levou de Müller era difícil (não impossível de evitar). É o goleiro mais confiável do mundo hoje.

A defesa foi bem, bastante auxiliada pelo meio-campo que marcou muito, principalmente com Mikel. Cole, David Luiz, Cahill e Bosingwa falharam muito pouco.

O Chelsea mostrou que, mentalmente, esteve muito mais equilibrado que o Bayern. Teve um escanteio a favor: fez o gol. Começou as cobranças de pênaltis atrás: virou. Às vezes as pessoas criticam quando dizemos que os principais fatores que decidem uma partida são, nesta ordem: técnica dos jogadores; força psicológica da equipe; e esquema tática e estratégia de jogo. O técnico é considerado "Gênio" (um exagero, claro) quando consegue subverter essa ordem. Mas ontem o Chelsea conseguiu superar a melhor técnica dos jogadores do Bayern.
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Sobre Esquemas Táticos

Marcelo Costa, jornalista e mestre em Sociologia. Editor do site Esquemas Táticos e do Esquemas Clássicos (www.esquemasclassicos.blogspot.com).
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