Paraguai 0 x 1 Espanha. Análise tática. Copa do Mundo 2010

A Espanha venceu o Paraguai por 1 a 0, no Ellis Park Stadium em Joanesburgo, pelas quartas-de-final da Copa do Mundo da África do Sul 2010. O esquema tático da Espanha foi o 4-2-3-1. O esquema tático do Paraguai foi o 4-4-2 com um quadrado no meio-campo.

Paraguai



O Paraguai jogou no seu 4-4-2 com um quadrado no meio-campo contra a Espanha com uma mudança tática. O meia/volante Barreto atuou pela direita. Entretanto, essa foi apenas uma precaução em relação à Espanha. Se pressionado, Barreto voltaria para atuar como volante. Mas a estratégia do técnico Gerardo Martino foi pressionar a saída de bola da Espanha e deu certo. Embora aparentemente goste de um jogo aberto, a Espanha se complica quando sua saída de bola é marcada.

Santana voltou ao time como meia-atacante pela direita e isso inibiu as subidas de Sergio Ramos. Barreto jogou adiantado pela meia direita e impediu a armação de jogadas por Xabi Alonso. A maior diferença em relação aos demais jogos foi o comportamento dos laterais, que pouco subiram ao ataque. Gerardo Martino até substituiu Bonet por Verón, um lateral-direito mais defensivo.

Segundo tempo



Na segunda etapa, Martino apostou mais fichas no jogo ofensivo contra a Espanha e colocou o meia Vera pela direita no lugar de Barreto. O Paraguai fez um jogo bem ofensivo e mostrou que essa pode ser uma fragilidade do time espanhol, que não tem um contra-ataque tão afiado como se imaginava (veremos isso com mais detalhes na análise da Espanha).

Mais tarde, quando já perdia por 1 a 0, tirou o volante Victor Caceres e promoveu Lucas Barrios. A seleção paraguaia passou para o 4-3-3 com Vera como primeiro-volante e Riveros como segundo-volante. Santana continuou como meia-atacante pela esquerda, configurando, com a posse de bola, um 4-2-4.

O esquema tático paraguaio mostrou-se bem eficiente, assim como a estratégia de Gerardo Martino. O Paraguai deu um sufoco que a Espanha não experimentava há muitos anos. Levando-se em conta as limitações técnicas da seleção do Paraguai, o time foi longe. E foi bem. Tivesse um ataque em melhores condições físicas e técnicas, poderia ter ido melhor.

Espanha



A Espanha foi a campo no 4-2-3-1 habitual, mas foram muitas mudanças durante o jogo. Como já tínhamos observado na partida contra Portugal, a Espanha apresentou um movimento em que Fernando Torres abria pela direita, Villa entrava como centroavante e Iniesta surgia como meia-esquerda. Ou seja, uma troca de posições entre eles para confundir a marcação. Não deu certo contra Portugal e novamente não funcionou. Talvez porque Torres não esteja no melhor de sua forma física e técnica e o time troque excessivos passes nas imediações da área. E esse ponto é importante.

Até agora, a Espanha enfrentou adversários que se fecharam no campo de defesa e pouco incomodaram a troca de passes da seleção espanhola. Contra o Paraguai foi diferente. O jogo foi aberto e a Espanha não mostrou eficiência no contra-ataque. Seleções retrancadas dão poucas oportunidades de contra-ataque, então a Espanha não teve como aplicá-los. Mas o Paraguai lançou-se ao ataque e deu espaços. Por que o contra-ataque espanhol não funcionou? A essência do contra-ataque são poucos passes, para pegar o adversário na transição ataque-defesa. O excesso de passes espanhol matou os contra-golpes.

Segundo tempo



Sem conseguir dominar amplamente a partida, o técnico Vicente Del Bosque tirou Torres, colocou Fabregas em seu lugar e reposicionou Villa como centroavante. O time ganhou mais um armador, um centroavante bem fisica e tecnicamente. Melhorou, mas faltava a objetividade mostrada pela seleção alemã e até agora ausente na seleção espanhola, que troca muitos passes para os lados.



Como Xabi Alonso não conseguia armar, Del Bosque optou por colocar o meia-atacante Pedro pela direita, deslocando Iniesta para a esquerda. Xavi e Fabregas seriam os armadores pela faixa central e Busquets o volante de marcação. A Espanha passou a jogar no 4-1-4-1.

O jogo contra o Paraguai foi equilibrado e a Espanha não é favorita contra a Alemanha na semifinal. A Espanha tem, na média, um elenco igual ou melhor que o da Alemanha. Mas se não for mais objetiva, e Del Bosque não se convencer que Torres não tem condições de ser o centroavante da equipe, a Espanha pode ter que se contentar em disputar o terceiro lugar na Copa.

Análise tática das seleções da Copa do Mundo 2010

Argentina 0 x 4 Alemanha. Análise tática. Copa do Mundo 2010.

Uruguai 1 (4) x (2) 1 Gana. Análise tática. Copa do Mundo 2010.

Holanda 2 x 1 Brasil. Análise tática. Copa do Mundo 2010.

Espanha 1 x 0 Portugal. Análise tática. Copa do Mundo 2010.

Paraguai 0(5) x (3)0 Japão. Análise tática. Copa do Mundo 2010.

Brasil 3 x 0 Chile. Análise tática. Copa do Mundo 2010.

Holanda 2 x 1 Eslováquia. Análise tática. Copa do Mundo 2010.

Argentina 3 x 1 México. Análise tática. Copa do Mundo 2010.

Alemanha 4 x 1 Inglaterra. Análise tática. Copa do Mundo 2010.

Estados Unidos 1 x 2 Gana. Análise tática. Copa do Mundo 2010.

Uruguai 2 x 1 Coreia do Sul. Análise tática. Copa do Mundo 2010.

Brasil 3 x 1 Costa do Marfim. Análise tática. Copa do Mundo 2010.

Inglaterra 0 x 0 Argélia. Análise tática. Copa do Mundo 2010.

África do Sul 0 x 3 Uruguai. Análise tática. Copa do Mundo 2010.

França 0 x 2 México. Análise tática. Copa do Mundo 2010.

Espanha 0 x 1 Suíça. Análise tática. Copa do Mundo 2010.

Honduras 0 x 1 Chile. Análise tática. Copa do Mundo 2010.

Brasil 2 x 1 Coreia do Norte. Análise tática. Copa do Mundo 2010.

Costa Marfim 0 x 0 Portugal. Análise tática. Copa do Mundo 2010.

Itália 1 x 1 Paraguai. Análise tática. Copa do Mundo 2010.

Japão 1 x 0 Camarões. Análise tática. Copa do Mundo 2010.

Holanda 2 x 0 Dinamarca. Análise tática. Copa do Mundo 2010.

Alemanha 4 x 0 Austrália. Análise tática. Copa do Mundo 2010.

Sérvia 0 x 1 Gana. Análise tática. Copa do Mundo 2010.

Argélia 0 x 1 Eslovênia. Análise tática. Copa do Mundo 2010.

Inglaterra 1 x 1 Estados Unidos. Análise tática. Copa do Mundo 2010.

Argentina 1 x 0 Nigéria. Análise tática. Copa do Mundo 2010.

Coréia do Sul 2 x 0 Grécia. Copa do Mundo 2010. Análise tática.

Uruguai 0 x 0 França. Análise tática. Copa do Mundo 2010.

África do Sul 1 x 1 México. Copa do Mundo 2010. Análise tática.

Ouça podcasts com análises de especialistas entrevistados pela Rádio Esquemas Táticos.

Rádio Esquemas Táticos. Bate-papo com Tim Vickery, da BBC de Londres e da Sports Illustrated. Tema: Principais seleções da Copa 2010.

Rádio Esquemas Táticos. Bate-papo com André Rocha, do GloboEsporte.com. Tema: principais seleções da Copa 2010.

Rádio Esquemas Táticos. Bate-papo com Robert Sweeney. Tema: seleções sulamericanas na Copa 2010.

Rádio Esquemas Táticos. Bate-papo com Hugo Albuquerque sobre o Campeonato Brasileiro 2010.

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Sobre Esquemas Táticos

Marcelo Costa, jornalista e mestre em Sociologia. Editor do site Esquemas Táticos e do Esquemas Clássicos (www.esquemasclassicos.blogspot.com).
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