Holanda 2 x 1 Brasil. Análise tática. Copa do Mundo 2010

A Holanda venceu o Brasil por 2 a 1, no Nelson Mandela Bay em Port Elizabeth, pelas quartas-de-final da Copa do Mundo da África do Sul 2010. O esquema tático da Holanda foi o 4-2-3-1. O esquema tático do Brasil também foi o 4-2-3-1.

Holanda



A Holanda jogou no 4-2-3-1, variando para o 4-3-3, como de costume. A única mudança foi a entrada do zagueiro Ooijer no lugar de Mathijsen, que se machucou no aquecimento. Os laterais também ficaram mais presos no campo defensivo. De acordo com o jogo, um sobe mais para o apoio que o outro. Contra o Brasil, ambos ficaram mais presos.

Pelos lados, Robben ficou mais livre para atacar pela direita que Kuyt pela esquerda. E foram de jogadas iniciadas na direita que saíram os gols holandeses. Primeiro numa cobrança de falta e depois numa de escanteio. A estratégia de privilegiar Robben não é nova, mas fez ainda mais sentido contra o Brasil, que conta com um lateral-esquerdo improvisado. Michel Bastos só foi lateral-esquerdo no início de carreira e joga como meia-atacante pela direita no Lyon. No último jogo do Lyon na Liga dos Campeões, entrou improvisado na lateral-esquerda.

A Holanda foi pior que o Brasil no primeiro tempo, mas não muito. No segundo, mandou no jogo. Praticamente não correu riscos defensivos e dominou o meio-campo. A seleção holandesa acertou, no segundo tempo, a marcação sobre Robinho, Kaká e Maicon. No primeiro, já havia marcado bem a Luís Fabiano. Ou seja, anulou as peças de onde poderia sair algum perigo.

Com Sneijder bem no meio-campo e chegando à frente, mais Robben pela direita, a Holanda matou o jogo. Se tivesse aparecido mais para o jogo, Kuyt poderia ter ajudado a ampliar a vantagem no jogo e no placar, mas ele cumpria a determinação tática de ficar mais preso e marcar Maicon.

A Holanda mostra um bom sistema defensivo e Sneijder e Robben inspirados. Tem mais chances que o Uruguai de chegar à final.

Brasil



O Brasil jogou no 4-2-3-1 usual. Diferentemente do jogo contra o Chile, seus jogadores de ataque não trocaram de posição frequentemente e pouco se movimentaram. Foram anulados pela defesa holandesa. Robinho, que apareceu bem no primeiro tempo, sumiu no segundo. Kaká não esteve bem, como não esteve em toda a Copa 2010. Luís Fabiano foi engolido pela defesa holandesa.

A maior preocupação defensiva do Brasil era o lado esquerdo. Michel Bastos, que como dissemos, atuou como lateral só no início de carreira no Brasil e improvisado no último jogo do Lyon na Liga dos Campeões da Europa, fez uma boa partida, mas levou um cartão amarelo. Como seu embate era contra o melhor jogador holandês, Robben, Dunga o tirou para a entrada de Gilberto, evitando uma possível expulsão.

Entretanto, o expulso foi Felipe Melo, que auxiliava Michel Bastos na marcação de Robben daquele lado. Esse fato tirou de Dunga a possibilidade de alterar o desenho tático brasileiro, promovendo a entrada de um jogador mais ofensivo ou de melhor toque de bola no lugar de Felipe Melo. Isso porque Dunga não abre mão de Gilberto Silva como volante de marcação.

Sem a opção — dada por suas próprias convicções, diga-se — de tirar o volante Gilberto Silva para a entrada de um jogador mais qualificado ou de ataque, Dunga viu-se preso, sem poder alterar o jogo da seleção brasileira. Além disso, tinha poucas alternativas no banco para isso. Erro duplo do técnico, que não soube convocar nem treinar alternativas de jogo.

Entretanto, é bom ressaltar que os jogadores decisivos não decidiram. Embora tenha sido um dos melhores jogadores do Brasil na Copa (Lúcio e Juan foram os melhores), Robinho desapareceu no segundo tempo; Kaká fez pouco durante toda a Copa e Luís Fabiano foi bem mesmo apenas contra a Costa do Marfim. Maicon, ao contrário da análise geral, também não esteve no melhor da sua forma física e técnica e, ademais, foi bem marcado durante toda competição.

Resumindo: uma seleção com tão poucos jogadores decisivos, e que não jogaram o seu melhor, é facilmente marcada e eliminada.

Análise tática das seleções da Copa do Mundo 2010

Espanha 1 x 0 Portugal. Análise tática. Copa do Mundo 2010.

Paraguai 0(5) x (3)0 Japão. Análise tática. Copa do Mundo 2010.

Brasil 3 x 0 Chile. Análise tática. Copa do Mundo 2010.

Holanda 2 x 1 Eslováquia. Análise tática. Copa do Mundo 2010.

Argentina 3 x 1 México. Análise tática. Copa do Mundo 2010.

Alemanha 4 x 1 Inglaterra. Análise tática. Copa do Mundo 2010.

Estados Unidos 1 x 2 Gana. Análise tática. Copa do Mundo 2010.

Uruguai 2 x 1 Coreia do Sul. Análise tática. Copa do Mundo 2010.

Brasil 3 x 1 Costa do Marfim. Análise tática. Copa do Mundo 2010.

Inglaterra 0 x 0 Argélia. Análise tática. Copa do Mundo 2010.

África do Sul 0 x 3 Uruguai. Análise tática. Copa do Mundo 2010.

França 0 x 2 México. Análise tática. Copa do Mundo 2010.

Espanha 0 x 1 Suíça. Análise tática. Copa do Mundo 2010.

Honduras 0 x 1 Chile. Análise tática. Copa do Mundo 2010.

Brasil 2 x 1 Coreia do Norte. Análise tática. Copa do Mundo 2010.

Costa Marfim 0 x 0 Portugal. Análise tática. Copa do Mundo 2010.

Itália 1 x 1 Paraguai. Análise tática. Copa do Mundo 2010.

Japão 1 x 0 Camarões. Análise tática. Copa do Mundo 2010.

Holanda 2 x 0 Dinamarca. Análise tática. Copa do Mundo 2010.

Alemanha 4 x 0 Austrália. Análise tática. Copa do Mundo 2010.

Sérvia 0 x 1 Gana. Análise tática. Copa do Mundo 2010.

Argélia 0 x 1 Eslovênia. Análise tática. Copa do Mundo 2010.

Inglaterra 1 x 1 Estados Unidos. Análise tática. Copa do Mundo 2010.

Argentina 1 x 0 Nigéria. Análise tática. Copa do Mundo 2010.

Coréia do Sul 2 x 0 Grécia. Copa do Mundo 2010. Análise tática.

Uruguai 0 x 0 França. Análise tática. Copa do Mundo 2010.

África do Sul 1 x 1 México. Copa do Mundo 2010. Análise tática.

Ouça podcasts com análises de especialistas entrevistados pela Rádio Esquemas Táticos.

Rádio Esquemas Táticos. Bate-papo com Tim Vickery, da BBC de Londres e da Sports Illustrated. Tema: Principais seleções da Copa 2010.

Rádio Esquemas Táticos. Bate-papo com André Rocha, do GloboEsporte.com. Tema: principais seleções da Copa 2010.

Rádio Esquemas Táticos. Bate-papo com Robert Sweeney. Tema: seleções sulamericanas na Copa 2010.

Rádio Esquemas Táticos. Bate-papo com Hugo Albuquerque sobre o Campeonato Brasileiro 2010.

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Sobre Esquemas Táticos

Marcelo Costa, jornalista e mestre em Sociologia. Editor do site Esquemas Táticos e do Esquemas Clássicos (www.esquemasclassicos.blogspot.com).
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