Propostas para o Campeonato Brasileiro. Draft no Brasileirao



Todo esse imbroglio sobre os direitos de TV do Campeonato Brasileiro pode criar, se não devidamente fiscalizado e regulamentado pelo Cade, uma elite de clubes ricos e uma maioria de clubes pobres. Isso acabará com a competitividade do campeonato, como já acontece em alguns países europeus como Espanha, Itália, Inglaterra e Holanda, onde praticamente Barcelona, Real Madrid, Internazionale, Milan, Juventus, Manchester United, Chelsea, Liverpool, PSV e Ajax alternam-se como campeões.

Para os torcedores dos times mais ricos, a situação é tranquila, mas para os amantes do futebol, a falta de competividade mata o esporte. Não existe coisa mais sem graça do que saber, de antemão, os postulantes ao título. Não há surpresa, não há reviravoltas, não há campeonato. E não venham me dizer que a história dos clubes os levaram a isso. Há casos de favorecimento do Estado a vários deles. O Real Madrid — para ficar só nesse exemplo — ganhou o terreno para a construção de seu centro de treinamento do Estado, assim como muitos clubes brasileiros também.

Como aumentar a competitividade dos campeonatos? Instituindo um draft. Ou seja, os clubes escolheriam os jovens talentos pela ordem inversa, do pior colocado no campeonato para o melhor. Explicando melhor. O último colocado no Campeonato Brasileiro escolheria primeiro, com isso teria a chance de escolher o melhor entre os novos talentos. O primeiro colocado, que em tese é o melhor time do momento, escolheria por último. E assim realizariam-se rodadas consecutivas até todos os jogadores interessantes para os clubes serem escolhidos.

Essa não é uma idéia socialista. É também, mas não só. A meca do capitalismo o pratica para o bem do esporte. Na NBA é assim. Os times universitários de basquete nos Estados Unidos revelam os jovens talentos e os times que se deram pior no campeonato, isto é, estão mais fracos, têm direito a escolher primeiro os melhores jogadores do torneio universitário.

Sei que a NBA é diferente dos campeonatos de futebol onde há descenso, algo inexistente no campeonato norte-americano. Também não temos torneios de futebol universitários fortes. Mas temos times sem condições de investir no futebol de base e outros que dispensam bons jogadores da base por terem em excesso. Além disso, um clube muitas vezes gasta fortunas para manter um jogador que ele (clube) não tem certeza se realmente vai se tornar um craque. Então, segue a proposta.

Criar-se-ia um fundo, alimentado com dinheiro dos clubes, para financiar a base dos times brasileiros. O clube poderia contribuir e/ou receber dinheiro desse fundo. Como contribuinte, teria direito a entrar no draft. Como beneficiário do dinheiro, cederia jogadores para o draft. Os clubes que tivessem mais jogadores draftados receberiam, no ano seguinte, mais dinheiro do fundo para investir nas categorias de base.

Os clubes poderiam continuar contratando jogadores normalmente, como é na NBA, mas os jovens talentos dos clubes que participam do draft só poderiam contratar por meio desse processo. Junto com o draft, teria que existir uma lei que impedisse que jogadores com menos de 18 ou 20 anos pudessem ser vendidos ao exterior. Isso protegeria os times que participam do sistema. Além disso, um sistema com salários mínimos e máximos para as jovens promessas contratadas. Ganhariam clubes e jogadores.

Hoje, muitos times gastam muito dinheiro para manter promessas que, nem sempre, tornam-se craques. Ao mesmo tempo, mais jogadores poderiam aparecer porque teriam mais espaço em clubes mais pobres.

Os clubes que não participassem do fundo, só poderiam pegar jogadores da própria base. Os mais ricos poderiam participar do fundo apenas como investidores, sem ceder jogadores. Mas, nesse caso, não fariam jus a nenhum dinheiro do fundo. É o que eu acho que aconteceria, já que têm mais dinheiro. Os clubes mais pobres receberiam dinheiro desse fundo e cederiam os jogadores da base requisitados no draft. Eles poderiam investir o dinheiro em seus CTs ou comprar jogadores para o time principal. Com o tempo, poderiam abrir mão do dinheiro do fundo e tornar-se-iam investidores. Assim, abririam uma vaga para outro clube ser beneficiado pelo fundo.

Com o draft, os times que ficaram nas últimas colocações do campeonato teriam o privilégio de escolher primeiro. Isso equilibraria tecnicamente a competição. Sem o draft, talvez o Chicago Bulls teria emendado campeonatos consecutivos desde os anos 90 até hoje na NBA.

Bom, são idéias preliminares sobre o tema. A idéia é aumentar a competitividade do campeonato, que corre o risco de criar um abismo entre os clubes ricos, que recebem mais dinheiro da TV e dos patrocinadores, e os mais pobres. Já publiquei algumas dessas idéias no Twitter (@esquemastaticos) e a discussão está quente por lá. Quem quiser entrar na discussão, é só seguir o @esquemastáticos pelo Twitter ou opinar na caixa de comentários.

O blog do Luis Nassif publicou uma versão preliminar deste arquivo aqui: http://www.advivo.com.br/blog/luisnassif/propostas-para-o-campeonato-brasileiro-de-futebol#comment-410548
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Sobre Esquemas Táticos

Marcelo Costa, jornalista e mestre em Sociologia. Editor do site Esquemas Táticos e do Esquemas Clássicos (www.esquemasclassicos.blogspot.com).
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3 comentários:

Anônimo disse...

Conversa mole. Comunismo futebolistico? Porque o Flamengo tem que carregar nas costas o São Paulo? Também é piada o Mengão ganhar menos ou igual ao timinho de paróquia Corintias. O tão aclamado futebol europeu nesse caso deixou de ser exemplo? O clube que for pequeno ou médio que trabalhe para se igualar aos grandes.

Anônimo disse...

concordo com ele
assim como todo time
comçaram por campeonatos menores, ou vc acha q o São Paulo e outros ja nasceram grande?
um dia ele foi pequeno, teve seu espaço e foi conquistando a America

Carlos Couto disse...

Concordo completamente com o que o artigo diz. Tenho a mesma opinião. Aqui na Europa, nos principais campeonatos, são sempre os mesmos a ganhar e isso já não tem piada. Na Liga dos Campeões acontece o mesmo e é por isso que prefiro ver a Liga Europa em vez da Liga dos Campeões.

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