Aguirre precisa utilizar o elenco qualificado do Internacional. Dois tempos distintos mostram que treinador errou ao escalar três volantes marcadores

O Internacional jogou no 4-3-2-1 contra o Palmeiras no empate em 1 a 1 na Allianz Arena, em São Paulo, pela quinta rodada do Campeonato Brasileiro 2015. O volante Nico Freitas atuou centralizado com Nilton pela direita e Alan Ruschel pela esquerda. Valdívia, pela direita, e Alex, pela esquerda, jogam como meias-atacantes. Alex, além da função de armador, chega à frente juntamente com Valdívia para apoiar Nilmar no ataque.

Veja aqui a análise tática da Final da Champions League. Juventus 1 x 3 Barcelona.




A escalação de três volantes de marcação impediram que o Inter conseguisse os contra-ataques


O Internacional pode usar o 4-3-2-1 fora de casa, desde que Aguirre escolha melhor as peças


Não é um sistema tático novo para o Internacional. A estratégia de Diego Aguirre, com o 4-3-2-1 e esta escalação, é ter um contra-ataque forte com Valdívia e Nilmar, na velocidade, e Alex, na qualidade do passe. Os dois volantes pelos lados, Nilton e Alan Ruschel, servem tanto para apoiar os meias-atacantes abertos quanto os laterais na marcação.

Aguirre erra ao utilizar dois volantes de marcação duros e pesados como Nico Freitas e Nilton


O problema é que o apoio dos volantes aos meias-atacantes pelos lados fica prejudicado pela pouca qualidade técnica deles, volantes. Além disso, Aguirre escolheu mal os volantes para este tipo de jogo. Os meias palmeirenses são velozes, passam a bola com qualidade e trocam de posições numa dinâmica que volantes pesados como Nilton e Nico Freitas não conseguiam acompanhar. Escalar dois (se fosse apenas um, como primeiro-volante, tudo bem) volantes pesados contra um time que joga exatamente envolvendo o meio campo adversário foi um erro. O primeiro tempo de amplo domínio do Palmeiras mostrou isso. Além disso, os laterais utilizados são mais talhados para a marcação que para o apoio.

O segundo tempo foi completamente diferente. O Internacional começou marcando o Palmeiras no campo adversário, pressionando a saída de bola. Atrapalhou o Palmeiras, mas não ajudou o Inter. Isso aconteceu simplesmente por que, quando roubava a bola, o Internacional não tinha qualidade para chegar ao gol do Palmeiras.

O cenário mudou quando Aguirre começou a utilizar toda a qualidade que o elenco do Internacional tem. Colocou Anderson no lugar de Alex, apagado, e houve uma melhora discreta. Anderson deveria ter entrado no lugar de um dos volantes laterais. Aguirre corrigiu novamente seu time ao colocar um centroavante (Rafael Moura) para auxiliar o isolado Nilmar e um atacante de velocidade pelo lado (Vitinho). O mais importante não foi, exatamente, a entrada de jogadores mais qualificados tecnicamente, mas a mudança de postura tática do time.

O Internacional passou a atuar com apenas um volante de marcação (Nico Freitas), dois atacantes de velocidade (Nilmar e Vitinho), um centroavante e um volante-armador recuado (Anderson). Alan Ruschel, que começou como volante pela esquerda, foi deslocado para a lateral esquerda.

O time passou não só a atacar mais, e com mais qualidade, como freou o ímpeto ofensivo do Palmeiras. O jogo ficou aberto. Diego Aguirre parece não gostar muito deste tipo de cenário. O que Aguirre precisa entender é que, num jogo aberto, o Internacional leva vantagem sobre a maioria dos adversários porque tem jogadores decisivos, que sabem finalizar e fazer gols. Tanto que o Palmeiras pouco ameaçou o Inter nessa fase do jogo. O contrário, no entanto, não é verdade. O Internacional só esteve perto da vitória quando o jogo ficou lá e cá.

É possível fazer rotação no elenco e, ainda assim, utilizar jogadores melhores e mais adequados dentro de planos de jogo para pressionar no ataque ou usar o contra-ataque


Como já chamávamos a atenção por aqui, quando analisamos as variações táticas do Internacional, o time gaúcho consegue controlar e ganhar jogos mesmo quando não joga bem. Está correto variar tática e escalação de acordo com o adversário e o contexto da partida. O problema não é esse. O Internacional pode ganhar partidas jogando bem. Basta Diego Aguirre colocar o melhor do seu qualificado elenco para jogar, mesmo com rotação de atletas.


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Sobre Esquemas Táticos

Marcelo Costa, jornalista e mestre em Sociologia. Editor do site Esquemas Táticos e do Esquemas Clássicos (www.esquemasclassicos.blogspot.com).
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